sexta-feira, 14 de maio de 2010

Filme "Utopia e Barbárie" - Silvio Tendler


Carolina Oms

Especial para Terra Magazine

"Utopia e Barbárie" é o novo longa-metragem do cineasta Silvio Tendler. O documentário faz parte da programação da programação da 33ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. A estréia ocorreu neste domingo, 29 e haverá ainda mais duas sessões. "A estreia na mostra de São Paulo foi muito bem recebida. Eu acho que esse filme tem tudo pra 'bombar'", conta Tendler.

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O cineasta trabalhou durante dezenove anos na elaboração deste filme. "Onde eu viajava, levava a câmera, gravava um pouco. Também montava viagens, corria atrás de entrevistas. Eu estive na Itália, Cuba, Uruguai, Israel, Itália, Palestina, Vietnã...".

- Eu comecei a fazer o filme num momento politicamente muito complicado, o muro de Berlim acabara de cair, o período político era muito radical, de transição. Eu passei a repensar o mundo e a partir daí fui construindo o filme. E essa construção durou 19 anos.

Por quase duas décadas, ele colheu depoimentos de filósofos, teatrólogos, cineastas, escritores, jornalistas, militantes, historiadores. "Pode chamar de caleidoscópio", define Tendler. "É um caleidoscópio da vida do século - do final da segunda guerra mundial até o episódio recente da crise do capitalismo, da eleição do Lula, do Obama, do Morales...".


O general vietnamita Vo Nguyen Giap

Entre os entrevistados estão o escritor uruguaio Eduardo Galeano, o general vietnamita Vo Nguyen Giap que derrotou o exército francês e o americano "o maior general do século XX", segundo o cineasta. "No Uruguai, conversei com guerrilheiros tupamaros... Cada história tem a sua força", enumera o cineasta, sem conseguir escolher um depoimento favorito.

Com uma cinematografia de cerca de 40 filmes, entre curtas, médias e longas-metragens, Silvio Tendler é detentor das três maiores bilheterias de documentários na história do cinema brasileiro: "O Mundo Mágico dos Trapalhões" (1 milhão e 800 mil espectadores), "Jango" (1 milhão de espectadores) e "Anos JK" (800 mil espectadores).

Sobre o motivo do sucesso Tendler não faz rodeios:
- Eu faço cinema para dialogar com o público, eu não faço cinema para mim ou para os meus amigos. Eu acho que um filme se estabelece sobre um triângulo autor, obra, espectador. Eu quero conversar com o espectador a partir da obra.

A crítica também recebe bem seus filmes, com "Glauber o filme, Labirinto do Brasil" foi selecionado para a mostra oficial do Festival de Cannes. "Utopia e Barbárie" logo na estreia, na quarta edição do Festival do Paraná de Cinema Brasileiro e Latino, foi escolhido o melhor filme.


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