sexta-feira, 21 de maio de 2010

Surdos ganham intérprete de sinais em shows de shopping na Zona Norte


O intérprete Alexsander Pimentel se comunica com o grupo de  deficientes auditivos na linguagem de sinais. Foto: Bruno  Gonzalez/Extra

Uma simples interpretação separava o mundo silencioso de Lidiane Ferreira, de 23 anos, e seus amigos do prazer de entender as músicas cantadas nos espetáculos de um shopping da Zona Norte do Rio. Não separa mais. Por uma iniciativa da estudante de Pedagogia do Instituto Nacional de Educação de Surdos (Ines), um intérprete da Língua Brasileira de Sinais (libras) foi contratado para que o grupo pudesse interagir com o show, no último dia 5. Atento à atitude dos deficientes auditivos, o estabelecimento comprou a ideia e decidiu contratar profissionais para todas as apresentações.

— Foi maravilhoso! Incrível! Eu fiquei muito feliz e adorei todas as músicas da Sandra de Sá. Já fui a vários shows, mas não tinha intérprete. Chamei um porque queria acompanhar o que o cantor estava falando, cantando. Antes, não entendia nada. Só olhava os gestos — explica Lidiane, através do intérprete Alexsander Pimentel.

Ele e a colega Sueli Serra, da Federação Inclusiva de Surdos e Intérpretes (Feisi) são os profissionais contratados pelo shopping para as próximas apresentações, nos dias 9 e 10 de junho.


— Quando identificamos o intérprete, o convidamos para subir ao palco. E vimos como uma grande oportunidade poder oferecer esse serviço já no show do dia seguinte (da cantora Danni Carlos). É muito importante como inclusão social e de lazer — diz Maria Fernanda de Paoli, gerente de marketing do NorteShopping.


Profissional há 15 anos, Alexsander vê na linguagem de sinais uma troca:
— A sensação de ver um surdo se emocionar é muito boa. Já vi muitos chorarem.

Uma simples interpretação separava o mundo silencioso de Lidiane Ferreira, de 23 anos, e seus amigos do prazer de entender as músicas cantadas nos espetáculos de um shopping da Zona Norte do Rio. Não separa mais. Por uma iniciativa da estudante de Pedagogia do Instituto Nacional de Educação de Surdos (Ines), um intérprete da Língua Brasileira de Sinais (libras) foi contratado para que o grupo pudesse interagir com o show, no último dia 5. Atento à atitude dos deficientes auditivos, o estabelecimento comprou a ideia e decidiu contratar profissionais para todas as apresentações.

— Foi maravilhoso! Incrível! Eu fiquei muito feliz e adorei todas as músicas da Sandra de Sá. Já fui a vários shows, mas não tinha intérprete. Chamei um porque queria acompanhar o que o cantor estava falando, cantando. Antes, não entendia nada. Só olhava os gestos — explica Lidiane, através do intérprete Alexsander Pimentel.

Alexsander no palco, à esquerda, no dia do show. Foto: divulgação

Apesar de muitos, sem serviço diferenciado


Alexandra Paiva afirma que é constrangedor ter que anotar os pedidos para ser entendida Nos fins de semana, um grupo de cerca de cem pessoas com deficiência auditiva frequenta o shopping — a maioria estudantes do Ines.

E nem todos vivem na Zona Norte. Lidiane é de Anchieta, Samuel Davi, de 21 anos, de São Gonçalo, e há ainda moradores de municípios da Baixada Fluminense. A outra opção predileta deles são as praias.

— Aqui, o cinema é maior e tem muitos ônibus que nos deixam na porta principal. Também é um ponto de referência, porque sabemos que outros amigos vêm para cá — ressalta Samuel.

Apesar de ser uma comunidade considerável de consumidores, as queixas sobre o atendimento não diferenciado ainda são muitas.

— Uma vez tentei me comunicar com o funcionário na bilheteria do cinema, através do vidro, mas ele me deu o ingresso com o horário errado da sessão.

Podia haver um intérprete ali — sugere Samuel, que já viu seu pedido trocado também numa rede de fast food: — Pedi um sanduíche sem molho e entenderam que eu queria cebola!

Alexandra Paiva, de 40 anos, fala sobre o que é considerado desagradável para um deficiente auditivo: ser obrigado a escrever o que quer falar, sem nenhuma forma de interação com a pessoa que o atende.

— É constrangedor.

E dá para notar pela expressão se a pessoa está de boa vontade. A gerente Maria Fernanda de Paoli informou que o shopping estuda oferecer, em breve, mais serviços para o público surdo.

Alexandra Paiva:  constrangimento ao anotar pedido em papel.

Serviço:

Cursos de libras

A Federação Inclusiva de Surdos e Intérpretes (Feisi), em Nilópolis, oferece cursos de libras (o básico custa R$ 30, com 16 horas de duração) e oficinas de capacitação para intérpretes.

Sinais na internet

Para quem quer ter contato com a linguagem de sinais, uma opção é o site da sociedade Acesso Brasil. Basta acessar http://www.acessobrasil.org.br/libras/, escolher uma palavra do dicionário online e observar como a intérprete a traduz numa tela ao lado. A demonstração pode ser repetida.

Educação

O Instituto Nacional de Educação do Surdos fica em Laranjeiras. Telefone: 2285-7597.

Música na rede

No Youtube, há vídeos de Alexsander Pimentel interpretando músicas. Basta buscar por music libras.



Fonte: http://extra.globo.com em 15.5.2010


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